“ADÃO E EVA”, EU?

Normalmente pensamos em Adão e Eva conforme nos é narrado no Gênesis na Bíblia, mas a mudança do título é proposital apesar de estranha, mas pode fazer sentido ao ser compreendida metaforicamente.

• A partir da terra Deus criou Adão e o fez viver no paraíso
Ou seja, o homem inicialmente é criado e vive no paraíso, onde suas necessidades são satisfeitas pela “grande mãe natureza”, sendo que dele nada se espera e para quem todas as coisas são feitas e estão à sua disposição. Posso considerar este tempo, como meus primeiros anos de vida, quando recebia tudo aquilo que necessitava sem ter que pensar de onde vinha e sem sequer fazer qualquer esforço.

• Enquanto Adão dormia, Deus criou Eva de sua costela para que ele tivesse uma companheira.
Enquanto o eu dormia, ou seja, ainda sem consciência de mim e alheio à minha vontade, estava sendo preparada uma parte de mim mesmo, para me tirar da inocência infantil e me fazer perceber que não sou o todo ou que não estou só. Neste desenvolvimento e ao encontrá-lo, começo a perceber que sou um ser relacional para quem nem tudo foi feito. Preciso deixar de ser o centro do universo.

• Por influência da serpente, Eva ofereceu a fruta a Adão.
A serpente entre outros significados, nesta história representa a sabedoria, ou seja, aquela parte de mim mesmo que lentamente vou desenvolvendo, de forma racional ou não, mas que me influenciam meus comportamentos, mesmo que eu desconheça sua  origem e razão. Eva, no caso, minha “anima” (ou alma), meu lado não-inconsciente, meu complemento invisível e contra-sexual, aquela parte que me instiga na busca de novas experiências e conhecimento.

• Por terem comido a fruta, viram que estavam nus.
O conhecimento me faz com olhar para mim mesmo e finalmente me vejo como indivíduo, me sinto inseguro e talvez com medo e envergonha de mim mesmo.

• Adão e Eva foram expulsos do paraíso, deveria ganhar o pão com o suor de seu rosto até o fim de seus dias.
Adão e Eva, ou seja a medida em que me complemento e me harmonizo posso pensar, tentar, ou mesmo querer ser mais completo, não me aceitar como infantil e preso ao falso paraíso, quero mais. Preciso procurar saciar minha fome e sede sobre mim e minha existência. Preciso trabalhar e me realizar diante da plenitude que intuo existir. Sinto que não sou nada mais do que pó e que tenho uma vida breve. Reconheço a finitude e a volatilidade da vida.

Fontes:

Interpretação a partir do texto de Rollo May, em “O Homem à procura de si mesmo”

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