Criança saudável, barulhenta, inquieta e colorida!

Nessa época de férias escolares é muito comum de ver pais ansiosos e preocupados com o que fazer com as crianças. Muitos não sabem, não tem ideia de como entreter os filhos.

Saibamos que uma criança não nasce para ficar quieta, para não tocar nas coisas, uma criança não nasce para ficar sentada em frente à TV ou a jogar no tablet. Uma criança não quer ficar quieta o tempo todo.

Crianças precisam se mover, criar aventuras e descobrir o mundo ao seu redor. Elas estão a aprender, são esponjas, caçadores de tesouros… Elas são livres, almas puras que buscam voar. Não as façamos escravas da vida adulta, da pressa e falta de imaginação dos mais velhos.

Não as apressemos em nosso mundo de desencanto. Impulsionemos o seu sentimento de maravilha, garantindo-lhes uma vida emocional, social e cognitiva rica em conteúdo, perfume das flores, expressão sensorial, felicidade e conhecimento.

E o que acontece no cérebro de uma criança quando ela brinca?

  • Brincar regula o humor e a ansiedade;
  • Promove atenção, aprendizagem e memória;
  • Reduz o stress, favorecendo a calma neuronal, bem-estar e felicidade;
  • Amplia a sua motivação física;

Tudo isso promove um estado ótimo de imaginação e criatividade, ajudando-as a apreciar a fantasia do que as rodeia.

A sociedade tem alimentado a hiperpaternalidade, que é a obsessão dos pais para que seus filhos tenham habilidades específicas para assegurar uma boa profissão no futuro. Mas nós, como sociedade e educadores, esquecemos que o valor das crianças não é definido por uma nota na escola e que com os esforços para priorizar os resultados, negligenciamos as habilidades para a vida.

As crianças não são definidas pelas suas realizações ou fracassos, mas por serem elas mesmas, únicas por natureza.

Como afirma Kim Payne, professor e conselheiro estadunidense, estamos criando nossas crianças com excesso de quatro pilares:

  • Muita informação.
  • Muitas coisas.
  • Muitas opções.
  • Muita velocidade.

As impedimos de explorar, refletir ou aliviar as tensões que acompanham a vida quotidiana. As enchemos de tecnologia, brinquedos e atividades escolares e extracurriculares, distorcemos a infância e, o que é pior, impedindo de brincar e se desenvolver.

Hoje em dia as crianças passam menos tempo ao ar livre do que as pessoas que estão na prisão. Porque nós as mantemos “entretidas e ocupadas” em outras atividades que acreditamos mais necessárias, tentando fazer com que permaneçam imaculadas e sem manchas nas roupas. Isto é extremamente preocupante. Consideremos algumas razões pelas quais devemos mudar isso …

  • Higiene excessiva aumenta a probabilidade de que as crianças desenvolvam alergias, como mostra um estudo do Hospital de Gotemburgo, Suécia.
  • Não permitir que elas desfrutem do ar livre, isso é uma tortura que limita seu desenvolvimento potencial criativo.
  • Mantê-las “agarradas” ao celular, tablet, computador ou televisão é altamente prejudicial para nível fisiológico, emocional, cognitivo e comportamental.

Como no livro “A descoberta de Miguel” da autora Marilurdes Nunes, que conta a história de Miguel, um garotinho que depois de ficar sem TV por um tempo, descobre um mundo novo ali bem pertinho, dentro de seu próprio quintal, recheado de aventura e diversão, no qual ele ainda não havia reparado porque perdia muito tempo vendo televisão.

Devemos ter bem presente o seguinte: “Se as crianças não precisam de um banho urgente, não brincaram o suficiente.” Esta é a premissa fundamental de uma boa educação.

Então, quais são os programas favoritos de sua família nas férias?

 

Texto baseado no site Plataforma Família e no livro “A descoberta de Miguel” de Marilurdes Nunes
Imagem: Pexels – sand-summer-outside-playing KaboompicsKarolina

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