VIDA ONLINE OU OFFLINE

Nossos jovens adultos e adolescentes da geração X e Y, nos trouxeram mudanças comportamentais a partir de novos padrões tecnológicos de relacionamentos, e que forçaram as gerações anteriores a se atualizar.

Mais do que canais e aplicativos, as chamadas redes sociais são responsáveis por um novo comportamento social. As emoções humanas foram afetadas muito além do que se imaginaria. Hoje, presenciamos as transformações sociais, criando novas maneiras de se relacionar com o mundo e com o outro.

Mas, juntamente com os pedidos de amizade, fotos na praia ou em alguma festa badalada, selfies e check-ins, concluímos que as redes sociais são importantes termômetros para denunciar a nossa fragilidade. Tudo isso reflete traços emocionais e psicológicos profundos em cada um de nós, interferindo na nossa autoimagem, autoestima e também na forma como nos relacionamos.  Necessitamos incessantemente da aprovação do outro através dos likes e comentários que elevam a nossa autoestima. Necessitamos da validação, da aprovação do outro, talvez buscando nos convencer de coisas que não temos certeza em nós mesmos.

Existe uma fragilidade em tudo isto e não foi a internet que desenvolveu. Na realidade estas questões já existiam; a internet foi apenas uma ferramenta para expor conteúdo que presenciamos no nosso dia-a-dia.

Podemos dizer que as redes sociais funcionam como um grande medidor da insatisfação e insegurança das pessoas consigo mesmas.

Um estudo australiano afirmou que o Facebook alimenta a necessidade de autopromoção de usuários com característica mais narcisista e extrovertida. “Os usuários do Facebook tendem a ser mais extrovertidos e narcisistas, mas menos conscienciosos e socialmente solitários do que os não-usuários”, dizem Tracii Ryan e Sophia Xenos, da Universidade RMIT em Melbourne.

Na internet podemos criar uma personagem, uma caricatura de nós mesmos. Então, podemos dizer que as redes sociais “caíram como uma luva” para a insatisfação humana e a necessidade fundamental do olhar de aprovação do outro, para satisfazermos as nossas fantasias e necessidades mais profundas. Cria-se então, uma angústia e ansiedade por feedbacks. A quantidade torna-se maior que a qualidade, como pequenas manifestações de interesse que tentam preencher algum vazio.

Até que ponto acreditamos nesta realidade, dos amores de contos de fadas, em uma vida sem problemas? Criamos muitas vezes uma realidade pré-fabricada a partir das nossas carências afetivas e emocionais. Vivemos “online” o que gostaríamos de viver na realidade.

E qual é o motor desses comportamentos? Adequação social? Afirmação da personalidade? Alimentação do ego? Necessidade de participação?

Baseado nos textos de: Nina Grando para pontoeletronico.me
Soraya Rodrigues de Aragão para psiconlinews.com e
Tom Jacobs para Pacific Standard psmag.com
Imagem: Teksomolika-freepikOD2SQR0
Um comentário em “VIDA ONLINE OU OFFLINE
  1. Giovanni diz:

    Grande, Zé!
    Talvez você já tenha assistido, mas caso não tenha, na Netflix tem uma série que mostra o lado mais sombrio da tecnologia, chamado Black Mirror. Em particular, tem um episódio sobre a obsessão (talvez necessidade) pelos likes e de como isso poderia transformar verdadeiramente o convívio fora da esfera virtual, que pode complementar seu texto.
    Caso tenha uns minutos pra gastar, é o primeiro episódio da terceira temporada.
    Abraços!

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