LONGEVIDADE CEREBRAL

Assunto intrigante que a ciência busca incessantemente entender é a longevidade cerebral de algumas pessoas quando associada à permanência no trabalho produtivo. São pessoas octogenárias que se mantém na ativa, claro, com muito respeito a algumas limitações físicas que o tempo impõe, mas com alto desempenho intelectual.

Genética? Sorte? Cuidados corretos com a saúde? Atividade física regular? São muitas variáveis e todas elas merecem crédito, mas o que está em jogo é o estudo dos cérebros dessas pessoas, na esperança de se observar algo nesses cérebros que possa estar associado à essa questão.

Com o avanço no campo das imagens, ganhou-se um recurso maravilhoso para melhor observação e mapeamento das regiões cerebrais e suas funções que poderia trazer alguma luz à essa discussão. Os cérebros dessas pessoas seriam maiores? Parece que sim. Teriam mais neurônios? Também parece que sim. Porém, independentemente do tamanho do cérebro ou da quantidade de neurônios existentes nele, sabemos que o grande desenvolvedor cerebral é o seu uso, pois neste caso amplia as conexões. Esse é o grande diferencial, número de conexões entre os neurônios. Quanto mais atividade cerebral tipo: leitura, estudo, aprender coisas novas, atividades musicais, etc… mais conexões se formam entre os neurônios trazendo compensações a longo prazo, no tocante a perda parcial de algumas células neuronais.

Há um declínio natural nas atividades cognitivas após os 50 anos. Avançando na idade ainda mais teremos alterações na memória recente. Essa é a razão das pessoas idosas muitas vezes relatarem com precisão fatos de sua infância e terem dificuldades para lembrarem-se do que se passou a alguns dias atrás.

Dentre as variáveis existentes e citadas como responsáveis por essa longevidade cerebral não conseguimos fazer nada quanto à genética e a sorte, deveríamos então preocuparmo-nos em melhorar os fatores que comprovadamente estão ao nosso alcance: atividade física regular que gera todo um bem estar físico e ainda melhora a oxigenação cerebral, melhorando em muito nossas funções cognitivas seria a principal delas. O tabaco já foi comprovado também como um vilão no comprometimento do déficit cognitivo, inclusive dobrando as chances de Alzheimer se comparado aos não fumantes. Esta é uma questão que por sorte está em declínio pois houve uma grande conscientização nesse tocante.

Cabe-nos então, não só rezarmos para nosso DNA ser bom e termos sorte, mas também darmos uma ajuda e lembrarmo-nos sempre da máxima “quanto mais eu faço por mim, mais sorte eu tenho”. A partir daí aguardar os anos e vivê-los da melhor maneira possível, colhendo o que plantamos.

Dr. Edmilson Fabbri
Para o Jornal Universidade Ciência e Fé
(http://www.cienciaefe.org.br/) em Fevereiro/2015

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