Obediência e desobediência – “Síndrome de Down”

No geral, sempre que a questão de obedecer vem à tona é tomada a criança como objeto, visto que estas devem sempre obedecer aos seus pais ou outros adultos por elas responsáveis, no entanto destaca-se entre os relatos mais comuns a falta de obediência do que seu oposto. Assim, pouco observa-se o outro lado da questão e que pode ser fundamental na eficácia da mensagem, ou seja, é necessário compreender como a ordem a ser obedecida chega até a criança.
Dessa forma, alguns aspectos que são fundamentais:
•    Ordem, instrução ou mensagem: Deve ser clara e que possa ser perfeitamente entendida pelo destinatário. É muito importante lembrar que as crianças com síndrome de Down têm mais facilidade para aprender e entender seguindo exemplos e não tanto instruções faladas. Valerá o esforço de demonstrar a tarefa e certificar-se que a criança entendeu perfeitamente o que lhe foi pedido.

  •    Capacidade ou competência: Além de ter certeza de que a criança compreendeu a mensagem, é necessário ter certeza de que também terá capacidade para executar a tarefa. A mãe pode mandar o filho lavar a cabeça no banho e ele pode até saber o que é isso, mas nada foi dito sobre quanto de shampoo deve ser empregado na tarefa, nem como se servir ou até mesmo alcançar o produto. É importante exercitar a atividade algumas vezes, dando autonomia à criança antes de pedir que faça sozinha. E lembre-se que pequenos acidentes podem e farão parte do aprendizado.
  •    Coerência: O pedido ou a ordem deve estar de acordo com o modo de vida e a rotina da casa. A mãe não pode mandar o filho arrumar suas roupas, sapatos e brinquedos, mas se outras pessoas da casa deixam tudo jogado, a ordem deve abranger a todos para ter coerência.
  •    Atenção: As crianças têm a tendência de repetir e copiar os adultos, então se a mãe lhe deu uma atenção fraca quando emitiu a mensagem, a criança tenderá a dar o mesmo tipo de atenção ao pedido. Por exemplo, se a mãe manda o filho juntar os brinquedos enquanto ela não para de lavar a louça, provavelmente nada acontecerá com os brinquedos. No entanto, se ela parar de lavar a louça, for até o filho, obter sua atenção e dizer-lhe para guardar os brinquedos enquanto ela lava a louça, a possibilidade de seu pedido ser aceito, compreendido e executado será muito maior.
  •    Repetição ou insistência: Talvez esta seja a parte onde mais se falha e posteriormente a criança seja descrita como desobediente ou teimosa. Os pais dizem que costumam mandar dezenas de vezes até que a criança obedeça e pode ser verdade. Quando uma ordem for dada várias vezes seguidas, a criança fica sem saber se realmente chegou a hora de atender. Talvez ela acredite que ainda falta ouvir mais algumas vezes antes de agir. Ela só vai agir quando souber que foi a última vez. Imagine aquela situação clássica em que a mãe manda dez vezes o filho tomar banho, depois cansada de tanto mandar pede ajuda ao pai. Este levanta de onde está, vai até o guri e diz: “Você não ouviu?”. Parece que milagrosamente ele é atendido.
    Se estes ponto não forem levados em conta é sempre muito mais fácil dizer que a criança é a errada. E enquanto não crescer a agir como adulto vai continuar teimosa e desobediente.
Texto escrito por José Nauiack, para o livro 
Bioecologia do Desenvolvimento na Síndrome
de Down - Práticas em Saúde e Educação 
Baseadas em Evidências - 
Editora Íthala,
de Maria de Fátima Joaquim Minetto e 
Beatriz Elizabeth Bagatin Veleda Bermudez

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