CHORÁ PRA MAMÁ

Desculpem a licença poética, mas necessária para dar a sonoridade desejada ao título, pois com ela busco resgatar o comportamento do bebê humano que tem apenas esta forma de comunicar sua necessidade.

Claro que aquele comportamento de “chorá pra mamá” não funciona pro adulto, está com fome? Vai pra cozinha… vai fazer… vai buscar… vai se virar de alguma forma, mas chorar não resolve.

Quero neste texto dar alguns passos no tempo e relembrar dos aprendizados no laboratório de AEC (Análise Experimental do Comportamento) onde, com os ratinhos aprendemos a analisar as ações diante das necessidades, para então, fazer interpretação e projeção aos demais mamíferos.

Uso os conhecimentos daquelas experiências para igualmente observar o comportamento dos leões na África, tem fome? Vai caçar. Claro que tem alguns oportunistas que preferem apenas aproveitar o jantar que o outro providenciou. Tem hienas, abutres e tantos outros que evitam correr risco e sustentam-se com a carniça. Mas o leão sempre quer um almoço novo, se possível ainda quente e latejante. Por isso ele é o rei dos animais, mas mesmo entre eles existe o casal ALFA. São eles quem decidem, são eles quem comem primeiro, são até mesmo eles quem decidem quem participa do grupo e quem deve ser excluído. Em cada grupo, de dez, quinze ou vinte, existe apenas um casal ALFA, os demais fazem parte do grupo, dão força pelo coletivo, assustam, amedrontam. Afinal a união faz a força. Mas ser ALFA não é pra qualquer um, precisa ter coragem, determinação, força, astúcia e por aí à fora. Sem membro é bem mais fácil e menos arriscado e contentar-se com a carniça. Também é importante perceber que um ALFA não o é em todo lugar, num grupo de ALFAS ele pode ser um pouco menos e apenas seguir “o mais forte”, mas mesmo assim sabe impor-se. Assim se faz a hierarquia.

O que acontece na vida animal repete-se na sociedade humana. Alguns poucos são ALFA, talvez na mesma proporção, um em cada dez, quinze ou vinte, não sei ao certo e nem tenho como medir, lanço como “hipótese”, se alguém quiser provar que fique à vontade.

Um em cada dez, quinze ou vinte é bem da nossa natureza e está presente em grande parte de nossos comportamentos. Veja por exemplo que falamos para dez, quinze ou até mais de vinte pessoas que fomos mal servidos em um restaurante, mas dificilmente falaremos ao mesmo número de pessoas quando ficamos satisfeitos. (RE)clamar é da nossa natureza. (RE)agimos mais do que agimos. Somos mais (RE)atores do que atores. Transformar é difícil e trabalhoso. Falar bem de quem faz talvez seja como reconhece-lo como ALFA, então é mais fácil criticar e falar mal.

Compreender então a diferença entre o ALFA e beta ou o ômega? O ALFA faz acontecer, o outro (RE)clama, (RE)age.

Digo tudo isso porque vejo muitos brasileiros criticando brasileiros, mas também
Vejo muitos brasileiros agradecendo, pedindo licença, sendo cortes no transito e nas ruas.
Vejo muitos brasileiros preocupados com os outros, sendo solidários.
Vejo muitos brasileiros doando do pouco que tem.
Vejo muitos brasileiros sendo sensíveis com os outros.
Vejo muitos brasileiros que não reclamam e fazem.
Talvez eu esteja vendo aqueles poucos “um em vinte”.
Talvez eu esteja vendo aqueles brasileiros ALFA que me fazem sentir orgulho de ser brasileiro.
Sinto muito orgulho de ver os brasileiros atores.
São eles que me inspiram, tento estar entre os gigantes mesmo sendo minúsculo, pois prefiro assim do que ser um gigante entre os outros.

Aquele que quer reclamar vá em frente, nada podemos fazer, no entanto torna mais fácil identificar sua faixa na escala animal, pois vai posicionar-se mais como uma hiena e longe de fazer parte do grupo de BRASILEIROS ALFA que tanto orgulham esta nação.

Texto de José Nauiack em Março/2020
Imagem: canva
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