Como o psicológico afeta a imunidade?

Mudanças na rotina e no estilo de vida, problemas no relacionamento, sobrecarga no trabalho, provas, falecimento de pessoas próximas, prazos curtos para entrega de tarefas, privação de sono, contratempos financeiros e isolamento social. Vivemos em um mundo cheio de fatores que causam estresse até para as pessoas mais calmas.

De acordo com a psicóloga Elaine Di Sarno, sob situações estressantes, o ser humano reage como um animal e entra no estado de “lutar ou fugir”. Hormônios como adrenalina, cortisol e norepinefrina são liberados e preparam o corpo para a ação: o coração dispara, aumenta a frequência respiratória, os músculos se tensionam e as pupilas dilatam.

No entanto, o estresse em pequenas doses pode nos ajudar a lidar com situações do dia a dia, como para entregar uma tarefa com prazo curto ou falar em público. A questão é que o estresse crônico se torna um grande vilão e, para suportá-lo, algumas pessoas até desenvolvem dependência ao álcool, cigarro e cafeína, segundo a psicóloga.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o estresse atinge mais de 90% da população mundial. Porém, o mal-estar continuado e estímulos desagradáveis repetidos podem ter consequências sérias no corpo físico. Isso porque o esgotamento mental é capaz de causar lesões no tecido celular dos órgãos e pode até desenvolver doenças, diz o psiquiatra Alfredo Toscano.

Estresse e ansiedade diminuem imunidade
Quando estamos estressados, tanto nosso corpo quanto nossa mente se preparam para “hibernar”, de acordo com o psicólogo Ronaldo Coelho. “Nós ficamos demasiadamente sem paciência, sem energia para nenhuma tarefa nova, incomodados com qualquer coisa, porque estamos querendo fazer o mínimo possível só para nos manter socialmente vivos”, afirma.

O corpo e a mente devem ser entendidos como uma unidade indissociável corpo-mente, por isso, uma mente cansada se traduz num corpo cansado. Para entender como isso funciona, a área da medicina que estuda a influência do psicológico na imunidade concluiu que estressores físicos e emocionais iniciam conexões neuroendócrinas que afetam a resposta imune.

Além disso, o estresse também pode acelerar processos inflamatórios e alérgicos e deixar a pessoa mais propensa a infecções. E a pessoa ainda pode desenvolver outros transtornos associados à predisposição genética.

O acúmulo de situações estressoras pode levar a patologias, descritos pela psicóloga Elaine Di Sarno como insônia, ansiedade, fobias e depressão. Além disso, também leva a sintomas que comprometem a qualidade de vida, como:

Fadiga
Dor de cabeça
Tristeza
Agitação
Inquietação
Pensamentos acelerados
Irritabilidade
Dificuldade em se concentrar e falhas na memória
Perda ou ganho de peso
Insatisfação constante
Isolamento social
Má digestão.

A psicóloga alerta que o tratamento do estresse e mudança de estilo de vida são essenciais para evitar o adoecimento psicológico e, por consequência, o imunitário. Neste sentido, o psicoterapia é uma das saídas para ajudar o indivíduo a extravasar suas emoções.

“A pessoa aprende como lidar com suas emoções, se colocando como sujeito de sua própria vida, além de manter uma estabilidade que pode amenizar os sintomas de ansiedade, depressão, fobias e de doenças autoimunes”, esclarece Elaine.

De forma geral, é indispensável aprender a extravasar as emoções de forma saudável e manter uma rotina de autocuidado, para desenvolver maior consciência de seus próprios sentimentos e conservar o equilíbrio mental.

Aprenda a reconhecer suas emoções.

Baseado no texto de Lidia Capitani para minhavida.com.br
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