IMPORTANTE OU ESSENCIAL?

Damos muitos remédios às pessoas, tem muita tristeza comum sendo tratada com medicação como se fosse depressão”, diz Tanya Luhrmann, antropóloga da Universidade de Stanford, nos EUA.

Perdemos tanto tempo de nossas preciosas vidas com coisinhas, valorizando situações ou pessoas que não merecem, que, se fizéssemos um balanço, veríamos o quanto de horas, dias e até meses, quando não anos, já desperdiçamos por conta de coisas, situações ou pessoas que achávamos importantes, e depois percebemos quão banais foram.

Para evitarmos novos desperdícios de tempo bom para nós, devemos ter sempre em mente a seguinte questão: “Talvez isso seja importante, mas será essencial?” Com essa pequena indagação, separaríamos o joio do trigo e pararíamos de supervalorizar o que não merece.

Num tempo em que a busca pela felicidade é algo quase obrigatório, parece um contrassenso andar na contramão disso, irritando-se e magoando-se por coisas importantes mas não essenciais, também chamadas de bobagens. Lembrem-se: não saber controlar as emoções é quase tão prejudicial quanto não as ter.

Sêneca já nos discorreu sobre a brevidade da vida, trabalhando sobre a essencialidade das coisas. Esse deveria ser o divisor de águas na vida das pessoas. Discutimos no trânsito, valorizamos comentários de pessoas fofoqueiras, nos irritamos com nossos familiares por pequenas questões e, ti-ti-ti daqui e ti-ti-ti de lá, afinal queremos ter razão ou ser felizes? Disso depende a separação do que é importante para o que é essencial. Percebem o quanto essa mudança de atitude pode mudar vidas? Tirar-nos de um patamar e jogar-nos em outro? É claro que essa percepção só vem com o tempo. Normalmente trazida pelos primeiros cabelos brancos, frutos de avaliações que deveríamos fazer constantemente sobre nosso histórico, seguindo o conselho de Sócrates: “Uma vida bem vivida é uma vida examinada”.

Já se perguntaram por que tanta depressão hoje em dia? Tirando os aspectos genéticos e algumas outras situações que merecem tratamento medicamentoso, tem muita gente tomando medicamentos por valorizar coisas que a levam a situações depressivas, com muito pouca resposta à medicação, pois a questão principal nesses casos é mudar a perspectiva, rever conceitos e tomar novos rumos.

Tanya Luhrmann, antropóloga da Universidade de Stanford, nos EUA, corrobora esse pensamento quando diz: “Damos muitos remédios às pessoas, tem muita tristeza comum sendo tratada com medicação como se fosse depressão”.

Vale lembrar também que as coisas já foram piores. Lembrem-se de que Freud já foi usuário e entusiasta de cocaína, receitando-a, inclusive, para seus pacientes com tristeza recorrente.

A serotonina, que já foi superstar anos atrás, sendo que todos queriam elevar seus níveis, já é questionada em função de que nem todo cérebro deprimido tem baixa serotonina.

Antes de valorizarmos o desequilíbrio químico, deveríamos valorizar a capacidade de reação das pessoas, desde que bem estimuladas e orientadas. A programação neurolinguística mostrou-se uma excelente ferramenta para esse fim.

Afora tudo isso, vem o grande vilão do século, o estresse, com a liberação de cortisol em excesso, alterando a bioquímica do cérebro e facilitando a depressão. E aqui, reforçamos a questão principal deste artigo: para diminuir nosso estresse diário, basta pararmos de valorizar o que nos parece importante e focarmos verdadeiramente no que é essencial.

Assim, tomando essas atitudes e nos orientando voltados para o essencial, teremos uma possibilidade muito grande de dependermos menos de médicos e de remédios, fazendo da simplicidade motivo para a felicidade.

EDMILSON MARIO FABBRI para o Jornal Universidade do Instituto Ciência e Fé
ANO 22 – Nº 258 – Setembro de 2021
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